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"Meu coração batia acelerado
quando atravessei o portal da Worldstone Chamber, logo
atrás de Baal. Embora eu já tivesse visto de tudo
durante esses vários meses de aventura, e tivesse
inclusive matado dois dos Três Demônios Primários,
ainda faltava um para ser detido...
É difícil
dizer qual deles foi o pior ou qual era o mais malvado,
afinal demônios são demônios, todos ruins por natureza.
A única coisa que me consolava, era saber que apesar de
serem criaturas infernais, todas elas morrem quando
sangram. E sangrar criaturas da escuridão era uma de
minhas especialidades.
DICA: Como sempre, abra um Town Portal
assim que entrar na Worldstone Chamber. Ele vai
servir como retorno rápido caso você morra. E você
sabe que isso não é muito dificil de acontecer na
primeira vez que você enfrenta um monstro novo, portanto...
O caminho até aqui é longo, portanto ele vai ser de
grande ajuda quando você tiver que voltar depois de
levar uma descabelada!
...Assim que eu
e Hrothgar, o fiel mercenário que me acompanhou pelas
estepes geladas, combatendo o mal ao meu lado, entramos
na câmara, fomos recebidos por um silêncio mortal.
Senti uma sensação estranha, algo ao mesmo tempo
celestial e maligno... A câmara era toda feita de pedra,
muito alta e escura. Nós mal podíamos enxergar alguns
metros à frente, mas aos poucos a visão foi clareando,
conforme nos acostumávamos com o ambiente. Assim que
consegui distinguir algo na escuridão, notei que a câmara
parecia ter passado por um pequeno terremoto, pois o piso,
feito de pedras simétricas perfeitamente encaixadas,
estava quebrado em várias partes, espalhando entulhos
por toda parte. O mais curioso eram as estranhas e
brilhantes rochas vermelhas que pareciam brotar do chão,
como espigões infernais...
...Apertei o
cabo de minhas espada, olhei para o mercenário, que fez
um pequeno gesto positivo com a cabeça, e então comecei
a caminhar, em direção ao final do corredor. Apesar do
silêncio quase reinante, às vezes podia-se ouvir alguns
pequenos estalos e outros sons difíceis de identificar. Avançamos cautelosamente, olhando
para todos os lados, pois o perigo poderia saltar sobre nós
à qualquer momento, sem aviso... Não demorou muito pra
que o chão começasse a tremer sob nossos pés, mas não
era um tremor natural, e sim alguma coisa criada pela
magia. Preparei-me para o ataque e notei que Hrothgar
também já assumia uma posição defensiva. Subitamente,
senti algo enrolar-se em minha perna, e foi então que
notei diversos tentáculos brotando magicamente do chão,
erguendo-se no ar como um animal cheio de braços...
DICA: Esses tentáculos, chamados Festering
Appendages, não representam grande perigo, eles são
mais como um aviso de que Baal está observando, ou um
sinal de que você está muito tempo parado no mesmo
lugar... Mesmo assim não se descuide e desça a espada
neles. Se também não quiser perder tempo, deixe eles
para lá e siga em frente...
...Mesmo sem saber que tipo de
criaturas eram aquelas, e nem de onde viam, já que
pareciam sair de uma espécie de portal mágico, rente às
pedras, não foi preciso mais do que alguns movimentos de
espada para libertar-me daquele "abraço". O
mais engraçado era que não saía sangue e nem nenhum
tipo de fluído daqueles tentáculos pegajosos quando
cortados pela minha lâmina, eles simplesmente
desapareciam assim que atingidos. Cotinuamos seguindo em
frente, e a tensão parecia aumentar em cada passo...
...Foi então
que chegamos à um lugar que parecia ser uma ponte. Dois
enormes pilares marcavam a sua entrada, de onde correntes
igualmente enormes estendiam-se até sumir na escuridão.
Inexplicavelmente, todos os sons cessaram. Sem saber
porque, ambos paramos exatamente naquele lugar. A larga
ponte de pedra estendia-se até sumir de vista, e nada
mais podíamos enxergar. Olhei para Hrothgar, e seu rosto
era uma máscara: não pude notar nenhuma expressão
diferente das que eu já tinha visto. Nem medo, nem
ansiedade, nem hesitação... nada. Assim como eu, ele
era apenas um guerreiro Bárbaro, cumprindo sua missão
sagrada. Se alguém dissesse algo naquele momento, com
certeza seria: "Medo? eu não tenho tempo para isso..."
Foi quando uma
voz ressonante cortou meus pensamentos, como se viesse de
todo lugar, num tom demoníaco:
"Meu
irmãos não morreram em vão!"
...E nesse instante, ambos sabíamos
que havia chegado a hora: Como um animal infernal, Baal
surgiu da escuridão, bem à nossa frente. Embora eu já
o tivesse visto na ante-câmara, onde mandei suas hordas
de volta ao inferno de onde haviam saído, ele agora
parecia muito maior e mais ameaçador. Agora eu podia
entender o que os habitantes de Harrogath queriam dizer
com "horror supremo", quando me descreveram a
primeira vez em que colocaram os olhos em Baal, assim que
ele chegou com suas hordas de demônios aos pés da
cidade. Uma gargalhada demoníaca cortou o ar, fazendo
todos os ossos do meu corpo tremerem como se fossem
gravetos. Ergui minhas lâminas e preparei-me para a
investida... Foi então que notei uma segunda criatura
surgindo por trás dele, lentamente: Meu coração
disparou quando pude finalmente notar que tratáva-se, na
verdade, de outro Baal! ...
DICA: É isso mesmo, meu amigo. Como se um só não fosse o bastante,
você vai ter que enfrentar o Baal em dose dupla. Na verdade trata-se apenas
de um clone, mas possue os mesmos ataques e poderes. A única forma de
saber qual dos dois é o verdadeiro é matando a cópia. Mas para isso você
vai ter que bater nos dois até também descobrir quem é a cópia! Em outras
palavras, não se preocupe em saber isso: Ocupe-se de matar o que estiver
mais próximo e torça para que seja o verdadeiro. O único problema é que
enquanto o verdadeiro viver, ele vai continuar gerando outros clones,
mas a vantagem é que ambos possuem sempre o mesmo nível de energia (se
a do Baal estiver pela metade, a da cópia também estará), portanto não
é tão difícil assim lidar com eles. Na verdade existe, sim, uma maneira
de diferenciá-los: repare no nome que aparece quando você coloca
o cursor sobre ele - "BAAL - Demon". No verdadeiro Baal,
esse nome "Demon" vai estar centralizado em relação
ao "Baal", enquanto que na cópia, ele vai estar ligeiramente
fora do centro. Mas cuidado! Como essa diferença é muito
pequena, você pode não ter tempo de ficar comparando as duas
e acabar levando uma descabelada!
...Olhei intrigado para o mercenário,
e ele deu um pequeno sorriso sarcástico, enquanto trazia
sua espada à frente, em posição de ataque. Embora ele
nada tenha dito, foi como se eu ouvisse as palavras em
minha mente: "Você pega o seu, que eu pego o meu."
E então partimos para cima das criaturas, soltando
brados selvagens...
...Os demônios
pareciam surpresos com a nossa investida, o que foi
suficiente para que tivéssemos alguns instantes de
vantagem. Movendo-se com uma rapidez que desmentia seu
tamanho, Baal conseguiu esquivar-se de meus ataques, de
forma que minhas lâminas cortaram apenas o ar...
Hrothgar parecia estar tendo sorte semelhante, pois
apesar de poder ouvir os ferozes gritos que ele dava, não
ouvi nenhum grito de dor vindo da criatura. Essas
investidas duraram alguns minutos, com homem e fera
tentando fazer a sua parte, mas nenhum dos dois parecendo
obter muito sucesso, até que notei o demônio começando
a afastar-se e fazer gestos estranhos com as mãos e cabeça...
Antes que pudesse reagir, uma saraivada de raios
flamejantes partiu do seu corpo, abrindo-se num círculo
pela câmara...
DICA: Apesar dessa magia ter feito um estrago e
tanto no infeliz encarregado de receber a comitiva de
Baal nos portões de Harrogath (como vimos no filminho de
abertura) aqui ela não é tão poderosa assim. Arranca
bastante energia, é claro, mas nada que vá explodir o
seu personagem em pedaços, pode ficar tranquilo.
A melhor forma de
proteger-se dela é sair correndo assim que você vir que
os raios estão se formando. Como o círculo vai se
abrindo e se afastando, quanto mais longe você estiver,
melhores são sua chances de escapar pelo vão
entre dois deles. Se bem que falar é fácil, porque a
magia é rápida demais para permitir que isso seja feito...
...Joguei-me no
chão imediatamente, bem à tempo de escapar da chuva de
raios. Pude senti-los arranhando minha armadura, quando
passaram raspando por mim. Num movimento ágil, rolei até
os pés de Baal e ergui-me diante dele, aproveitando o
momento de estupor que sua magia havia deixado. Antes que
ele pudesse perceber, golpeei uma de suas pernas com
minha espada - um jato de sangue negro espalhou-se pelo
ar, e o monstro cambaleou quando tentou apoiá-la
novamente no chão, quase decepada. Um grito inumano
ecoou pela câmara e uma expressão de fúria
transfigurou o rosto do demônio. Agora não era mais só
uma questão de sobrevivência.... Agora era pessoal.
...Subitamente, senti uma forte
pancada em minhas costas, como se tivesse sido atingido
por um bloco de pedra, e o impacto foi forte o bastante
para atirar-me à alguns metros de distância. Quando
ergui-me do chão, vi que Hrothgar estava do meu lado,
coberto por uma fina camada de gelo, tentando também
levantar-se, com muita dificuldade. Só então percebi
que ele havia sido o tal bloco de pedra que me arrancou
do chão...
DICA: O outro ataque de Baal é um raio de gelo,
que além de congelar, ainda consegue jogá-lo longe com
o impacto. Aqui não tem como escapar: ou você pula ou
vai levar uma porrada gelada... O mais importante é
incrementar a sua resistência à Cold, pois você pode
ficar vulnerável durante o tempo que permanecer
congelado.
...Tentei ajudá-lo a levantar-se, mas
ele recusou minha ajuda, apesar de parecer não ter mais
forças. Notei o sangue que brotava de um ferimento
aberto em sua barriga, e então percebi que não havia
mais muita coisa que eu pudesse fazer... Parecendo
ignorar a dor, ele ainda conseguiu colocar-se de pé e
erguer a espada mais uma vez. Empurrou-me para o lado,
olhou para mim com uma expressão séria, e só então
pude perceber o que ele queria que eu entendesse: nós éramos
Bárbaros... Nascidos e criados no campo de batalha. A
guerra era a nossa arte. Morrer em combate era a maior
honra que qualquer um de nós poderia querer. E quem
seria eu para privá-lo de tal honra? Ficamos lado a lado
mais uma vez, como verdadeiros irmãos-de-armas, e nada
mais precisava ser compreendido. "Por Bul -Khatos",
disse eu. "Por Bul-Khatos", respondeu ele. E partimos novamente para cima dos demônios,
em nossa derradeira investida contra as trevas...
...O combate
prosseguiu ferozmente, e eu nem mais sentia os diversos
ferimentos que já cobriam meu corpo, enquanto golpeava
Baal com fúria e selvageria. Alguém teria que ceder
mais cedo ou mais tarde, e os céus mais uma vez
permitiram que esse alguém fosse eu... Baal não
conseguiu resistir ao ataque, e finalmente tombou ante a
minha espada, com as entranhas jorrando de seu ventre
aberto...
...Caí exausto ao chão, mas ainda
pude assistir ao espetáculo macabro que a morte do último
Demônio Primário proporcionava - enquanto ele dava seus
últimos espasmos e cuspia o sangue negro, de seu corpo
despedaçado saíam espectros dançantes, que encheram a
câmara numa dança infernal, para depois sumirem no ar
sem deixar vestígio... Ainda consegui distinguir a
enorme face maligna de Baal, dançando em meio à eles,
antes de perder os sentidos e mergulhar na escuridão...
Quando voltei à
mim, a carcaça exalava um insuportável fedor pútrido,
e não se parecia mais com a criatura que nos aterrorizou
alguns instantes atrás - era apenas um monte disforme de
carne, ossos, pele e chifres. Olhei ao redor procurando
por Hrothgar, mas tudo que consegui enxergar foi outro
enorme cadáver que jazia sobre a pedra no final da ponte.
Caminhei com dificuldade até lá, e não tive mais dúvidas:
o mercenário havia conseguido cumprir sua missão - o
outro Baal também estava morto. À poucos metros dali,
outro corpo jazia também imóvel. Ajoelhei-me ao seu
lado, sentindo um enorme pesar. Hrothgar havia sido um
bravo, fiel e valente companheiro. Um guerreiro que
apesar de não merecer morrer por essa guerra injusta,
havia dado a própria vida para que outros pudessem
sobreviver.
"Você
será lembrado, Hrothgar. Vá em paz, meu irmão. "
Foi então que
notei que estava diante do fim da ponte, onde parecendo
brotar do abismo e estendendo-se acima de mim quase
infinitamente, uma gigantesca pedra avermelhada nos
observava... Um calafrio percorreu minha espinha enquanto
eu erguia a cabeça para observar, enfim, aquela que era
conhecida como a Worldstone. Ali estava eu, um simples
mortal, diante de um dos artefatos celestiais mais
importantes do universo... Nunca em minha vida havia me
sentido tão pequeno e insignificante! Respirei fundo,
enquanto estranhas emoções invadiam meu ser... Emoções
ao mesmo tempo tão concretas e efêmeras, tão claras e
difusas... Então esse era o pivô de toda a guerra que tínhamos
enfrentado...? De toda a morte, toda a destruição,
desespero e sofrimento pelo qual a humanidade havia
passado nos últimos séculos... E ainda assim, mesmo
junto ao cadáver de meu amigo, eu não conseguia sentir
ódio - pois sabia que sem ela, talvez essa guerra também
jamais tivesse sido ganha pelos homens...
Nesse momento,
um brilho magnífico invadiu toda a câmara, e bem acima
de minha cabeça, uma figura etérea planava lentamente,
descendo em minha direção. As enormes asas de energia,
pairando suavemente no ar não deixavam nenhuma dúvida:
Era Tyrael, o Arcanjo.

O anjo desceu até
quase tocar o chão, cumprimentou-me e meu espírito foi
subitamente invadido por uma paz imensa. Toda a dor que
eu então sentia sumiu por completo, e percebi uma leve
aura cristalina recobrindo todo o meu corpo. Senti-me tão
bem como se estivesse descansando tranquilamente em casa,
ou acabado de acordar de um sono longo, profundo e
repousante...
Jamais
esquecerei as palavras que ouvi naquele dia:
"Estou
impresisonado, mortal. Você superou o maior
desafio que esse mundo jamais enfrentou e
destruiu o último dos Demônios Primários. No
entanto, chegamos tarde para salvar a Worldstone.
O toque destrutivo de Baal já a corrompeu
totalmente.
Com o
tempo, as energias da Worldstone vão se esgotar
e as barreiras entre os mundos vão romper-se -
as forças do Inferno vão inundar este... Santuário...
e dizimar seu povo e tudo aquilo que vocês
trabalharam para construir.
Portanto,
eu devo destruir a amaldiçoada Worldstone antes
que as forças do Inferno criem raízes. Este ato
mudará seu mundo para sempre - com consequências
que nem mesmo eu posso prever. No entanto, é a
única forma de garantir a sobrevivência da
humanidade.
Vá
agora, mortal. Eu abri um portal que o levará à
segurança.
Que a
Luz Eterna ilumine a você e seus descendentes
pelo que realizou aqui hoje. A perpetuação da
sobrevivência da humanidade é o seu legado!
Acima de tudo, você merece um dencanso dessa
batalha sem fim."
|
E
foi assim que, com o cadáver de Hrothgar nos ombros,
despedi-me do Arcanjo e entrei no portal, rumo à segurança...
Rumo ao meu mundo... Rumo à paz."
CRÔNICAS
DE KHANDURAS
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