| Como não podia deixar de ser, com o grande sucesso
que o Diablo 2 causou mundialmente, era
de se esperar que ele tivesse uma continuação. Embora o
jogador já estivesse logo pensando no Diablo 3 assim que
chegou ao final da partida, isso seria um projeto à
longo prazo, afinal um jogo desse porte leva muito tempo
para ser criado e finalizado (que o digam os 3 anos que o
D2 levou...), portanto o mais certo de se esperar era que,
assim como foi feito com o D1, ele também tivesse um Pacote
de Expansão. Anunciado algum tempo depois do lançamento
do jogo original, o Diablo 2 Expansion Set - Lord
of Destruction já causou arrepios nos fãs logo
que foi mencionado. Na verdade esse pacote seria apenas
mais um Ato adicional (Ato V), onde o jogador seguiria a
trilha de Baal, o único dos Três
Demônios Primários restantes.
A trama não foge aos padrões anteriores: Ambientado
aos pés do Monte Arreat, na tera natal
do personagem Bárbaro, a história gira
em torno da Worldstone, a fonte original
de poder das Soulstones. De posse de tal rocha,
que está justamente localizado em algum lugar do tal
monte, Baal tornaría-se invencível, condenando a
humaniade ao inferno total. Para tanto, o demônio (que
é ainda mais feio do que o próprio Diablo!) sitiou a
cidade de Harrogath, aos pés do monte,
exigindo a rendição. O problema é que ele não contava
com a resistência dos habitantes, afinal eles são Bárbaros,
ora essa, o povo mais bravo e corajoso que já existiu!
Assim que eles fecharam a porta na cara do bicho, Baal
libertou suas hordas infernais sobre eles e a batalha
começou... E é aí que você entra, meu amigo: Detenha
o exército de criaturas, destrua Baal e salve a
Worldstone. Simples, não?
NOVIDADES
- O que se podia esperar na continuação de um jogo que
já era perfeito? Talvez seja essa a pergunta que voce
está se fazendo, mas garanto que a resposta não podia
ser melhor: A Expansão é melhor que o jogo
original, sim. Não estou falando somente sobre as
características do Ato V, as quais
estarei comentando mais para frente, mas sim de todas as
melhorias que o pacote também oferece para o jogo
original. É como se você parasse para pensar em tudo
que não te deixava feliz no Diablo 2 original, apontando
os defeitos e as melhorias - afinal todo jogador pensou
em pelo menos uma durante certas partes do jogo - e
parece que todas essas reclamações foram ouvidas: a
Blizzard aperfeiçoou vários aspectos importantes,
aumentado o tamanho do Stash (o baú que
fica na cidade), acrescentando uma segunda opção de
armas, vários novos itens e até a forma como você
interage com os mercenários.

|
O
novo Stash
|
|
Isso melhora muito a qualidade do jogo, pois
agora você tem o dobro de espaço para armazenar
suas tralhas (embora depois de jogar eu continue
achando que é pouco), e não vai mais precisar
ficar jogando os itens fora, tais como os de Set,
que eu acabava vendendo simplesmente porque não
conseguia completar o conjunto e não tinha mais
onde enfiá-los! Com a opção de Trocar
de Armas, voce pode equipar seu
personagem no espaço I com uma espada e um
escudo e no espaço II com uma arco e flechas,
por exemplo. Para alternar entre elas, basta
apertar W, ou selecionar a aba correspondente no
inventário. Apesar de interessante, isso não é
muito útil na prática.
|
| Confesso que joguei o jogo
inteiro e raramente utilizei essa opção, na
verdade eles foram mais úteis apenas como espaço
de armazenamento de itens, ou naquelas ocasiões
em que a sua arma quebra bem no meio de uma
muvuca, e você acaba levando um pau. De qualquer
forma, é uma novidade. |
O mais interessante, é que essas novidades não
funcionam apenas para a Expansão, mas sim para todo
o jogo. Tanto se você levar seu personagem veterano
para o Ato V, ou começar uma nova partida (Atos I-IV)
com as novas classes, todas as implementações estarão
funcionando normalmente, como se já fizessem parte do
jogo original! Dá até uma sensação de "Ah, agora
sim, o D2 está do jeito que eu queria...!"
ITENS
- Como não podia deixar de ser, um sem fim de novos
itens foram incluídos, destacando-se os itens específicos
para cada classes, ou seja, existem escudos que só o
Paladino pode usar, capacetes de lobo que só o Druida
pode, e assim por diante. Apesar de bem interessante,
chega também a ser meio frustrante, pois você sempre
acaba achando uns itens muito bacanas, mas termina não
podendo usar, porque eles são exclusivos de outros
personagens... Bom, o jeito é procurar pelos seus! Outra
coisa interessante é que agora existem itens soquetados
de todos os tipos, até mesmo mágicos. Além disso, a
frequência com que eles aparecem (você deve se lembrar
do quanto demorava para conseguir achar uma pedra
preciosa, por exemplo, e do quanto isso era irritante) é
bem maior, facilitando muito a vida do jogador.
Entre as novidades, estão os Charms,
as Jewels e as Runas.
Os Charms são espécies de "amuletos" (nada à
ver com aqueles colares que você já conhecia, eles
variam de pequenas pedras até enormes pedaços de
madeira, ou coisa parecida), que se deixados no inventário,
acrescentam poderes especiais e caracterísiticas extras
ao seu personagem. Até aí tudo bem, o único problema
é que alguns são absurdamente grandes (ocupando até 3
quadradinhos) e acabam assim roubando o espaço que seria
ocupado por outros itens, mais úteis. As Jewels são o
que o nome diz, pedras preciosas ornamentadas, que
funcionam igual às gemas, ou seja, podem ser inseridas
nas armas soquetadas para acrescentar poderes extras. Já
as runas são pequenas pedras cinzas, com uma espécie de
letra inscrita, que também funcionam como as gemas. A
novidade aqui é que se elas forem colocadas em
determinada ordem (exatamente como aquelas fórmulas do Horadric
Cube), podem gerar mais características extras,
além das inicias. O único problema é que isso só
funciona através do Battle.net (servidor
para jogos online da Blizzard), e não nas partidas
Single Player. Ainda vamos ter que esperar pelo próximo
Patch...

|
O
Druida, pronto para a batalha
|
|
NOVAS
CLASSES - As duas novas classes
incluídas, Assassin e Druid,
acrescentam um novo leque de opções ao jogo
original. Cada uma possui seus respectivos Skills
e poderes próprios, variando bastante entre si
no que se refere à jogabilidade e eficiência. O
Druida utiliza poderes elementais e animais, o
que significa que ele é capaz de transformar-se
em Lobo e Urso, bem como invocar plantas (como é
o caso da Videira Venenosa, que é um barato!) e
outros bichos para lutarem ao seu lado. Já a
Assassina se utiliza de técnicas de Artes
Marciais e consegue utilizar armadilhas, além de
dar pernadas para todo lado.
|
Para quem é fã de lâminas
e chutes, ela é um prato cheio, embora suas habilidades
sejam todas muito parecidas com as que nós já estamos
carecas de ver, ao contrário do Druida, que é muito
divertido de jogar. A opção de transformar-se em
Lobisomem e Urso Pardo, apesar de ser muito bacana de ver
pelo visual, não traz tanta vantagem assim, pois ele
fica meio vulnerável, principalmente graças à lentidão
do urso. Por outro lado, a habilidade de invocar lobos e
corvos para lutarem com você é bem divertido:
dependendo do nível, dá para formar um verdadeiro bando
de animais, que te seguem como bichos de estimação, e
atacam o primeiro que chegar perto! Na metade do Ato I eu
já estava com dois lobos, dois corvos, a videira (que
também te segue, entrando e saindo do chão) e mais a
Arqueira mercenária. O mais legal é que eles são
relativamente eficientes e gastam bem pouca Mana para
serem invocados. O único problema, ao meu ver, é que ao
contrário do que esperava, você não pode jogar o Ato V
com as novas classes, somente com os personagens que já
mataram o Diablo. Se você seleciona um dos dois
novos e inicia a partida, você vai ser levado ao início
do D2 original, ou seja, vai ter que jogar tudo de novo
antes de poder enfrentar o Baal. Pensando bem, isso até
que tem lógica, já que a história segue o rastro
aberto pelo Ato IV. Pior seria se também não fosse possível
jogar o original com eles!

|
Irmãos-de-armas
|
|
MERCENÁRIOS
- Uma das coisas que achei mais legais à
respeito da Expansão, é o fato de que agora os
mercenários (guerreiros que você "compra"
com determinados personagens do jogo) possuem um
inventário de armas quase igual ao seu, ou seja,
você pode dar-lhes uma armadura, um elmo e duas
armas. Isso aumenta a sua eficiência e resistência,
tornando-os quase um outro jogador distinto para
acompanhar seu personagem. Além disso, eles também
sobem de nível conforme lutam, aumentando ainda
mais sua eficiência. No D2 original, eles eram
extremamente fracos e morriam logo que um grupo
de monstros os cercava, mas aqui isso não
acontece mais, graças à essas novas implementações
que foram bem pensadas. |
Apesar de não custar nada ficar vigiando a quantidade
de energia do seu aliado (que agora você também pode
curar, jogando uma poção de Heal dentro do quadradinho
do Status dele que aparece na tela, embora isso só pareça
funcionar no Ato V) no geral você nem precisa mais se
preocupar com ele, à ponto de deixá-lo cuidando dos
monstros enquanto você recolhe os itens, na maior tranqüilidade...
Muitas vezes eles ficam tão eficientes que nem deixam
ninguém para você matar! Outra coisa que parece ter
mudado é a Inteligência Artificial desses
personagens, que parece estar bem mais aprimorada. Agora
eles raramente ficam presos nos cantos, ao contrário do
D2 original, onde eles sempre te obrigavam a fazer toda a
volta de novo, só para eles encontrarem o caminho...
Aposto que já aconteceu com você!
A única coisa que achei estranho é que eles não
mudam de aparência quando recebem as armaduras. Embora
pareça incorreto, acho que isso foi feito para que você
não se confunda entre o seu personagem e o mercenário
durante a luta. Olhando por esse ponto de vista, até faz
sentido. Outra coisa que notei foi que existem algumas
restrições ao equipamento, ou seja, você não consegue
equipar uma Rogue (Ato I) com outra arma que não sejam
Arcos (nem de flecha ela precisa!), não aceitando nem
mesmo aquelas Bestas, que são mais fortes. Os bárbaros
que você aluga no Ato V também não conseguem usar duas
armas ao mesmo tempo, o que é muito estranho, já que
ele é a única classe capaz de fazer isso. De resto,
essas modificações vieram bem a calhar e acrescentaram
muita diversão ao jogo, sem dúvida.

|
| "Engraçado... Daqui os
estragos não parecem tão grandes..." |
|
O
ATO V - O Monte Arreat fica na
terra natal dos Bárbaros, as planícies geladas
ao redor da cidade de Harrogath. O visual do
lugar é bem de acordo com o tema, realmente
transmitindo uma sensação de território "selvagem"
e inóspito. Graças à guerra que os bárbaros
estão travando contra o exército de demônios
de Baal, os arredores estão todos de pernas pro
ar, mostrando campos de batalha sangrentos, máquinas
de guerra, trincheiras com estacas pontudas,
barricadas e todos os elementos típicos de um
cenário de violência. A quantidade de detalhes
do cenário é incrível, e aqui já não sei
dizer se eles foram mesmo melhorados, ou se é
apenas uma nova "roupagem" à já
excelente qualidade gráfica do D2 original. |
De qualquer forma, o visual dos lugares é incrível:
encostas íngremes, cavernas geladas, paredões de pedra,
planícies cobertas de neve, enfim, dá gosto de entrar
em cada nova área, só por não saber o que vai
encontrar à frente. Como não podia deixar de ser, há
novas criaturas infestando esses cenários, que variam de
uma espécie de homens-lagarto com espadas, até enormes
monstros de armadura que carregam outros nas costas,
passando por abomináveis-criaturas-das-neves e
minotauros, entre outras surpresas. Embora nenhuma delas
seja tão diferente ou criativa assim, é sempre bom dar
uma renovada no ânimo durante a partida, enfrentando
novas aberrações e perigos. Outra característica
interessante é que agora existem bem mais lugares que
você pode destruir, tais como torres de vigília,
barricadas e portas, tornando o cenário mais "interativo",
se é que se pode dizer isso. O que fica evidente é que
houve uma preocupação maior com aspecto paisagístico
da coisa. Confesso que fiquei arrepiado quando cheguei ao
topo do Mont Arreat e pude olhar lá para baixo...
| O que achei mais curioso em relação à
trama é a maneira como o Bárbaro é recebido
quando chega à Harrogath: O texto assemelha-se
muito ao do Diablo 1, aquele manjado "Graças
a Deus você voltou... Muitas coisas mudaram por
aqui desde a sua partida...", lembra? Vale
ressaltar que isso só acontece com ele, afinal
estamos falando de sua terra natal, certo? Aliás
nem sei porque mencionei isso, mas que deu um
flashback, deu... O aspecto negativo é que o Ato
V é relativamente curto e fácil: em questão de
2 ou 3 horas você já explorou tudo, já matou o
Baal e voltou à estaca zero, abandonado no campo
de batalha com aquele gostinho de quero mais... Só
não sei dizer se isso aconteceu porque eu estava
usando um personagem ilegítimo (o Bárbaro Blacknight,
de nível 99), ou se foi só porque fiquei muito
viciado no jogo. |

|
"Um
passo em falso, e..."
|
|
Digo isso porque também re-completei o Ato I em até
bem menos tempo, quando estava levando o Druida e a
Assassina para uma voltinha de Test Drive, e se bem me
lembro, da primeira vez demorou muito mais mesmo.
EPÍLOGO
- Só fiquei com uma grande dúvida quando cheguei ao
final do LOD... Haverá um D3? A sensação após matar o
Baal é que o ciclo se completa, e nem mesmo o filminho
de encerramento (de tirar o fôlego, por sinal) deixa
grandes ganchos abertos para uma continuação... Talvez
a Blizzard tenha mesmo planejado encerrar a saga em
grande estilo, e dessa forma dar fim à uma das mais bem
sucedidas empreitadas do mundo dos games de RPG. Ou isso,
ou tem coisa muito mais bacana vindo por aí... Vamos
esperar para ver.
Em termos gerais, Lord of Destruction
não traz muitas novidades em relação ao original, mas
acrescenta características bem interessantes, que vale a
pena conferir. Mesmo porque isso é o melhor que você
vai conseguir, e é tudo por enquanto. Mais do que isso,
só no Diablo 3. Nos vemos na próxima batalha!
Julius - The Black Knigth
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